Berlin 2017 - Revista Chorzeit - Neue Horizonte - Novos Horizontes

 
Tradução:
NOVOS HORIZONTES
No Festival das Tradições Corais houve o intercâmbio entre repertório e  ouvidos alemães, e interpretações corais de tango e samba – uma experiência enriquecedora!
Turbantes verde-primavera e vestes adornadas da Turquia, saias xadrez dos uniformes escolares da Argentina e blusas esvoaçantes com cachos de uva dourados do Brasil, mas, sobretudo, grandes musicistas, do soprano suave da voz de meninos ao baixo profundo e ao gutural contralto folclórico, uma vasta gama de timbres estão representados. Tudo isso pode ser apreciado no Festival das Tradições Corais. 30 coros de 15 países diferentes viajaram no início de fevereiro para participar, em Berlim, do evento que proporcionado pela Interkultur.
Há anos a Interkultur convida, no mundo todo, para eventos como este, com competições e muitos concertos de amizade. Em Berlim as competições se dão no programa Grand Prix of Nations, que foi sediado em 2015, pela primeira vez, na cidade de Magdeburg, também na Alemanha, e que deve se repetir a cada dois anos em outras cidades do país. A ideia central do festival como um todo é  o intercâmbio entre coralistas, e é aí que o Rundfunkchor Berlin entra, como parceiro do festival. O coral profissional elevou seu conceito de „Concerto aberto“ a um novo patamar, ao ensaiarem, juntamente com coros amadores, um programa todo “A-cappella”. A Missa em Mib Maior para 2 coros op. 109 de Josef Gabriel Rheinberger e quatro Motetos de Heinrich Schütz foram interpretados pelo grande grupo de cantores no Concerto de encerramento do Festival das Tradições Corais na Filarmônica de Berlin.

 Representar o próprio país
Já no concerto de abertura os quase 1000 participantes do festival puderam experimentar a bela acústica do Auditório de Música de Câmara. Todos cantaram juntos o hino do festival, composto por Ērik Ešenvald, e puderam apreciar em seguida seis dos coros visitantes que trouxeram na ocasião uma pequena amostra do seu repertório.
„Um maravilhoso prelúdio“, diz Helma Haller. A regente e seu coro brasileiro feminino Collegium Cantorum se sentem animadas. O Ensemble vem de Curitiba, cidade do sul do Brasil, com aprox. 1,8 milhões de habitantes. O nível é semi profissional, diz Helma Haller. Algumas das 16 participantes do grupo são professoras de música. Já é a terceira vez que participam de encontros da Interkultur e a cada vez o grupo evolui seu nível consideravelmente, conta ela, tanto em relação à concentração em uma competição, quanto à consciência da responsabilidade de representar seu próprio país nos concertos de amizade. “Certamente a prioridade está, em tais eventos, em ouvir o maior número de coros possível. E dessa vez ainda temos esse grande e exigente programa juntamente com o Rundfunkchor“. As brasileiras estão felizes por terem o privilegio de fazem parte desse projeto, para o qual tiveram de gravar solos e esperar pela resposta de aceitação que, como esperado, veio positiva para todas as cantoras do grupo que se inscreveram. 
Nicolas Fink conduz o Projeto e se alegra por assumir o risco.  “O canto 'A cappella’ é a maior disciplina de um cantor. Justamente com os Motetos de Schütz muitas coisas podem sair errado“, diz ele, mas afirma que está otimista, pois os participantes vieram para o primeiro ensaio já muito bem preparados. “Isso é um desafio para todos. Inclusive para mim, como regente, é uma incrível escola, porque eu tenho que, em muito pouco tempo, me adaptar a um grupo todo novo.”
120 cantores e cantoras se inscreveram para o programa. Principalmente de Berlim e da região, mas também as cantoras do Collegium Cantorum. Helma Haller tem pais de origem alemã e em sua casa sempre se falava e cantava muito em alemão, conta ela. Mas não é apenas por isso que o Collegium Cantorum sempre de novo prepara repertórios em alemão. Claudia Römmelt, que dirige o Instituto Goethe em Curitiba há dois anos faz parte do naipe de  contraltos neste grupo. Música em idioma alemão é o parâmetro para coros com aspiração internacional, diz ela. Não é preciso saber o alemão com fluência, apenas pronunciar o texto corretamente e um coro de qualidade consegue fazer isso. Por esse motivo o projeto foi, para as suas colegas, um bom treino e, certamente um grande desafio para a correta interpretação retórica.
O Rundfunkchor Berlin realizou, no outono, sua primeira turnê na América do Sul. Tiveram apresentações no Brasil e na Argentina e em Frutillar, no Chile alguns dos cantores ensaiaram com um coral local a ode de Beethoven „An die Freude“, experiência sobre a qual o tenor Holgen Marks disse: “Os sul-americanos fazem ótima salsa e merengue, pelas quais nos animamos muito. Mas da mesma forma eles se animam pelo modo como nós trabalhamos o repertório alemão “praticamente original”. É uma experiência de crescimento mutuo“.  

Elegante arranjo coral de Piazzolla para „Adios Nonino“.
 No festival da Cultura Coral também há muita originalidade. Assim como pode-se observar no Collegio Northlands da Argentina, que se esforçou  na música francesa „Tourdion“ e, com muita elegancia, interpretou o arranjo de Astor Piazzolla da música italiana “Adios Nonino”. Também o Collegium Cantorum de Curitiba apresenta um programa do próprio país. “Normalmente cantamos repertório de música sacra europeia, mas certamente trazemos a um concerto de amizade entre coros internacionais músicas que são esperadas pelos nossos espectadores como típicas  brasileiras”, diz a regente Helma Haller. Naturalmente faz parte o samba “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso e pequenos tesouros como “Pintasilgo no pinheiro”, do virtuoso compositor curitibano Bento Mussurunga. Ouvir os outros corais é essencial tanto para os cantores leigos quanto para os profissionais, diz o diretor do Rundfunkchor Berlin e patrono do Festival das Tradições Corais, Gijs Leenaars. “Assim como eu que, como regente, sempre procuro um novo horizonte e observo como outros regentes trabalham, também espero que os meus cantores saiam do seu pequeno espaço e venham a conhecer outros timbres. Isso não tem relação com ser melhor ou pior – se é que isso existe. Mas tem relação com aproveitar situações em festivais como esse e presenciar e aprender outras técnicas.” 
Como representante do Rundfunkchor Berlin,  o barítono Axel Scheidig, junta-se à mesa do Jury do Grand Prix. Ele não apenas está impressionado com a qualidade dos coros nas competições, mas principalmente com a coragem de incluir peças rápidas no programa, como também mostrar personalidades individuais nos  timbres. Para isso o júri entrega, ao fim do festival, prêmios especiais. ....

Trabalho minucioso  de fraseamento e dicção.
No concerto de encerramento do festival, onde os movimentos da Missa de Rheinberger se alternaram com os Motetes de Schütz, Nicola Fink conduziu os cantores e cantoras à maior expressividade, em especial na articulação em dinâmica pianíssima. Rostos exuberantes refletem a alegria ao deixar o palco. Também Helma Haller: „Nós trabalhamos tão minuciosamente as possibilidades de fraseamento e isso junto aos cantores e cantoras do Coro da Rádio de Berlin, essa sensação com certeza levaremos para casa, para o nosso próprio coral.”